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Cristóvão Colombo: biografia

Cristóvão Colombo nasceu em 1451, muito provavelmente em Génova, cidade que se havia transformado em importante centro comercial no mediterrâneo.

As cidades-estados da península itálica procuravam imiscuir-se nos novos negócios para Ocidente, diversificando os seus pontos de interesse, para além do mercado tradicional do mediterrâneo oriental.
Em 1476, Cristovão Colombo encontrava-se em Lisboa como agente de negócios de outros genoveses. Quando abandonou Portugal em 1486, estava determinado a atingir a Ásia pelo Ocidente.
Viveu alguns anos no arquipélago da Madeira, casando em 1479 ou 80 com Filipa de Moniz, filha de Bartolomeu Perestrelo, primeiro capitão donatário do Porto Santo.

Por essa época estabeleceu contactos com muitos navegadores portugueses ligados às descobertas na costa ocidental de África, de onde vinham noticias de terras para Ocidente, carregadas de bruma e mistérios. Cálculos, como os de Toscanelli, sobre a dimensão da Terra levaram-no a acreditar na possibilidade de atingir o Oriente pelo Ocidente.

Abandona Portugal, por não ter conseguido apoio de D. João II para tal empresa.
Dirige-se a Castela, onde os reis católicos, Fernando e Isabel, se encontravam muito empenhados na tomada do último reino muçulmano da Península, o de Granada, não dando uma atenção imediata a Cristóvão Colombo. Só em 1492, Isabel a Católica viria a apoiar o projecto.
Em 3 de Agosto de 1492, saíram de Palos três embarcações, a Santa Maria, sob o comando de Cristóvão Colombo, a Pinta, comandada por Martín Alonso Pinzón e a Nina, comandada por Vicente Yanez Pinzón.

Após uma pequena paragem nas Canárias, Colombo deixa a ilha de Gomera em Setembro. A 12 de Outubro e pela primeira vez avista terra, uma das ilhas do arquipélago das Bahamas. Viria a explorar ainda as costas do Haiti e de Cuba, convencido de que se encontrava no Oriente.
De regresso passou por Lisboa, em 1493, tendo sido recebido por D. João II, que de imediato reclamou a posse das novas terras, abrindo uma crise diplomática.
A 14 de Março de 1493, completava a sua primeira viagem, tendo sido recebido com as maiores honras pelos reis católicos.

Em 25 de Novembro de 1493, partiu de novo para Ocidente, comandando uma poderosa armada de 14 caravelas e três grandes naus, transportando cerca de 1500 pessoas. Nesta segunda viagem, descobre mais ilhas: Guadalupe, Porto Rico, Martinica e as Antilhas. Regressou à Europa na primavera de 1496, deixando um grupo de povoadores no Haiti.

Em 1498, partiu para a sua terceira viagem, descobrindo a ilha da Trindade e avistou a costa da Venezuela. Vitima de intrigas, regressou a Castela sob prisão em 1500.

A sua quarta viagem iniciou-se em 1502, dirigindo-se para as actuais Honduras e Panamá, que Colombo julgou ser a Indochina, tendo procurado insistentemente o estreito de Malaca. De regresso à Europa, em 1504, foi ignorado, vindo a morrer desacreditado em 1506. Esteve sempre convicto de que estivera no Extremo Oriente. Nunca concebeu que o mundo incluía o imenso continente americano e o Oceano Pacífico.






Cristóvão Colombo: sua relação com a Madeira e o Porto Santo

Cristóvão Colombo, de provável origem genovesa, aportou à Madeira em ligação directa com os negócios do açúcar que por esses tempos se intensificavam. Havia chegado a Lisboa em 1476, procurando integrar-se na colónia genovesa. Nesta década de 70, a produção açucareira da Madeira ascendia já às 20.000 arrobas, sendo intenso o comércio açucareiro. Vários florentinos e genoveses, como Francisco Calvo, Misser Leão e Baptista Lomellini, eram até produtores açucareiros na Madeira.

Em 1478, Colombo desloca-se à Madeira, trabalhando para Paolo di Negro, em negócios intermediários de açúcar, com destino a Ludovico Centurione.

Outros laços ligaram Cristovão Colombo à Madeira. Casa com Filipa de Moniz, filha de Isabel Moniz e de Bartolomeu Perestrelo, primeiro Capitão Donatário do Porto Santo.

Existem várias versões e interpretações sobre este casamento e do seu real alcance e mesmo sobre a origem de Cristóvão Colombo. Importa referir que os antepassados de Colombo são originários de Placência, assim como os de Bartolomeu Perestrelo.

O casamento realizou-se provavelmente em Lisboa, por volta de 1479 ou 80. Do casamento nasceu um filho, Diogo de Colombo, cerca de 1480, em Lisboa (?) ou no Porto Santo (?), sem se conhecer de forma irrefutável o exacto local.

A permanência de Cristovão Colombo na Madeira, provavelmente entre 1480-82, facultou-lhe dados importantes, e essenciais para a sua formação náutica, sobre a navegação atlântica. Na época, decorriam a bom ritmo as descobertas e exploração portuguesas da costa ocidental africana.
Quando Colombo se deslocou para o Porto Santo, era capitão donatário o seu cunhado, Bartolomeu Perestrelo, filho.

O segundo capitão havia sido Pedro Correia, casado com Guiomar Teixeira, filha do Capitão donatário de Machico.

O Porto Santo, mesmo com a concorrência de outros portos do arquipélago como o de Machico ou do Funchal, era muitas vezes usado como escala técnica.

Em 1498, aquando da sua terceira viagem à América, fez escala no Porto Santo.
Por várias fontes, é conhecida a presença do navegador nas ilhas, como a Historia de las Indias de Frei Bartolomé de las Casas, a Vida del Almirante Don Cristobal Colon, escrita por seu filho Fernando Colon, assim como uma acta do notário Gerolamo Ventimiglia, de Génova.



Em 1498, na sua terceira viagem ás Índias, esteve também na ilha da Madeira:
“En la villa le fué hecho muy buen recibimento y mucha fiesta, por ser allí conocido, que fué vecino de ella en algún tiempo” como nos diz Bartolomé de las Casas. A estadia de Colombo na Casa de João Esmeraldo, no Funchal, popularmente conhecida por Casa de Colombo, só poderia ter ocorrido em 1498, no regresso da sua terceira viagem às Antilhas, porque só nessa época a casa se encontraria construída.

No Porto Santo, uma tradição oral localiza a casa onde viveu Cristovão Colombo no local onde hoje se encontra construído o Museu de Porto Santo. Uma parede de pedra, em que se abrem duas janelas de arcos ogivais, prova a existência de pelo menos uma relação epocal com Cristóvão Colombo.
Mais do que a localização das casas onde viveu Cristovão Colombo, o arquipélago da Madeira liga-se de forma insofismável à sua formação como navegador, e é essa a nossa maior contribuição para o descobrimento de um novo continente.


Ansi que fuese á vivir Cristobal Colon á la dicha isla de Puerto Santo, donde engendró al dicho su primogenito heredero D. Diego Colon, por ventura por sola esta causa de querer navegar, dejar allí su mujer, y porque allí en aquella isla y en la de Madera, que esta junto, y que tambien se havia descubierto entónces, comenzaba a haber gran concurso de navios sobre su poblacion y vecindad, y frecuentes nuevas se tenian cada dia de los descubrimientos que de nuevo se hacian.

Frei Bartolomé de las Casas (1484-1566), Historia de las Indias


João Esmeraldo, Jeanin Esmerandt ou Esmenaut, nascido em Béthume, no condado de Artois, veio de Bruges para Lisboa, em 1480, como funcionário da casa comercial Despars, sediada em Bruges. Esta empresa dedicava-se aos negócios com o açúcar da Madeira.

Na condição de comerciante, João Esmeraldo deslocou-se várias vezes à Madeira até aqui se instalar definitivamente. Torna-se mesmo produtor de açúcar, adquirindo a Rui Gonçalves da Câmara a grande propriedade da Lombada, na Ponta do Sol, ilha da Madeira, onde ainda hoje, apesar de grandes modificações, existe o Solar dos Esmeraldos.

Naturalmente devido aos seus negócios de açúcar, conheceu o também negociante Cristovão Colombo. Este esteve pela primeira vez em Portugal por volta de 1476. Em 1478, Paolo Di Negro incumbe Colombo de carregar açúcar na Madeira para o genovês Ludovico Centurione. Entre 1480-82, esteve na Madeira e deve ter conhecido João Esmeraldo.

Em 1498, Cristovão Colombo, elevado à condição de Almirante e Vice-Rei das Índias, a caminho da sua terceira viagem à América, passa pela Madeira. Uma tradição alimentada ao longo de séculos diz que passou na casa do Funchal de João Esmeraldo os seis dias da sua estada. A casa de João Esmeraldo havia sido construída por volta de 1495, pelo pedreiro Gomes Garcia. Infelizmente viria a ser destruída em 1876.

Não se conhece ao certo a data do descobrimento das Ilhas Canárias. Na cartografia europeia é referenciada em 1339, mas o seu conhecimento é naturalmente anterior. São conhecidas expedições genovesas, no final do século XII, em sua demanda. Quase todo o arquipélago aparece na carta Pizzigani de 1367. Contrariamente a outros arquipélagos atlânticos, as Canárias eram habitadas, o que parece ter dificultado a ocupação.

No primeiro quartel do século XIV, Lançarote Malocello procura dominar a ilha que ganhará o seu nome: Lançarote. Várias expedições de catalães e maiorquinos irão acontecer ao longo do século. Em 1345, D. Afonso IV, rei de Portugal, reclama as ilhas. Em 1402, Jean de Bettencourt conquista Lançarote.

Portugal mantém a pretensão ao senhorio das Canárias, como apoio estratégico para os avanços na costa ocidental africana. Uma tentativa foi ensaiada em 1415 pelo Infante D. Henrique, comandada por D. João de Castro, outra em 1424, comandada por D. Fernando de Castro, não teve êxito, como a de 1427, por António Gonçalves da Câmara. Já em 1448 Maciot de Bettencourt vende a Ilha de Lançarote ao Infante D. Henrique, que é ocupada, por pouco tempo, por Antão Gonçalves. O Infante D. Henrique renuncia à sua posse em 1454. Em 1455, Henrique IV de Castela doou aos Condes de Atouguia e Vila Real o senhorio das Canárias. No tratado de Toledo de 1480, Portugal abandona definitivamente as suas pretensões às Ilhas Canárias.












 
 
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